A nova cena gastronômica das periferias: chefs que não precisam do centro para brilhar
Quando o chef Marcos Oliveira, 32 anos, abriu seu restaurante no Grajaú, zona sul de São Paulo, em 2022, os amigos acharam que era loucura. "Todo mundo dizia: vai para o Itaim, para a Vila Madalena, para onde tem dinheiro. Eu disse: o dinheiro está aqui, só que é o dinheiro de quem trabalha de verdade", conta.
Três anos depois, o restaurante de Marcos tem lista de espera de três semanas e foi citado em duas das principais publicações gastronômicas do Brasil. Ele não precisou ir ao centro para ser reconhecido — o centro veio até ele. E não é o único.
Uma nova geração de chefs e empreendedores gastronômicos está transformando as periferias das grandes cidades brasileiras em destinos culinários por direito próprio. Em São Paulo, no Grajaú, em Paraisópolis e na Brasilândia. Em Recife, no Ibura e no Coque. Em Salvador, no Subúrbio Ferroviário e em Cajazeiras.
Mais do que comida
O que diferencia esses projetos não é apenas a qualidade da comida — que é indiscutível — mas a proposta que os sustenta. A maioria deles tem um compromisso explícito com a comunidade: contratam moradores locais, compram de produtores da região, oferecem cursos de gastronomia para jovens da periferia.
"A gastronomia da periferia não é gastronomia de segunda classe. É a gastronomia que tem raiz, que tem história, que tem o gosto de quem fez o Brasil."