Mobilidade

O colapso do metrô de São Paulo: como a falta de investimento transformou um símbolo em pesadelo

Reportagem especial investiga as causas do aumento de falhas e atrasos no sistema metroviário paulistano, que afeta 5 milhões de passageiros por dia.
Por Camila Souza  ·  27 de junho de 2025  ·  Correio Urbano

Em 2015, o metrô de São Paulo era considerado um dos mais eficientes da América Latina. Em 2025, é o alvo principal das reclamações de quem depende do transporte público na maior cidade do Brasil. O número de falhas operacionais — paralisações, atrasos superiores a 15 minutos e interrupções de serviço — aumentou 340% em dez anos, segundo dados obtidos pela Correio Urbano por meio da Lei de Acesso à Informação.

O que aconteceu nesse período? A resposta envolve uma combinação de fatores que os especialistas em transporte urbano vêm alertando há anos: subinvestimento em manutenção, envelhecimento da frota, expansão da rede sem reforço proporcional da operação e uma gestão que priorizou novos projetos em detrimento da conservação do que já existia.

Os números que o governo não divulga

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) publica mensalmente indicadores de desempenho em seu site, mas esses dados são apresentados de forma agregada e não permitem identificar quais linhas têm mais problemas ou quais tipos de falha são mais frequentes. A Correio Urbano solicitou os dados desagregados por linha, tipo de falha e horário — e levou quatro meses para receber uma resposta parcial.

Os dados obtidos mostram que a Linha 3-Vermelha, a mais antiga e a mais utilizada do sistema, concentra 42% de todas as falhas registradas. A Linha 1-Azul vem em segundo lugar, com 28%. Juntas, essas duas linhas transportam 3,2 milhões de passageiros por dia — mais da metade do total do sistema.

"Eu acordo às 5h da manhã para pegar o metrô antes do pico. Mesmo assim, pelo menos duas vezes por semana tem algum problema. Já perdi reunião importante, já cheguei atrasada em entrevista de emprego."

O problema da manutenção

Especialistas em transporte ferroviário apontam que o problema central é a manutenção. Os trens mais antigos do sistema têm mais de 40 anos de operação — muito acima da vida útil recomendada para material rodante de metrô, que é de 30 anos. A renovação da frota foi prometida em sucessivos planos de governo, mas nunca foi executada integralmente.

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